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O futuro da propriedade dos dados? O Brasil junta-se ao que a Datapods começou

O Brasil acaba de lançar um piloto nacional para pagar às pessoas diretamente pelos dados pessoais. Mas o que é política pública inovadora na América do Sul já é tecnologia em funcionamento noutros sítios. Na verdade, é exatamente o futuro que estamos a construir na Datapods.

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Por David Goldschmidt
|4 de junho de 2025
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Se estás a ler isto online, estás a gerar dados. Cada clique, cada scroll, cada pesquisa e até cada pausa numa página é registada e monetizada, só que não por ti. Até agora.

Numa estreia mundial, o Brasil está a abrir caminho com uma solução nova: permitir que as pessoas monetizem diretamente os dados pessoais através de uma iniciativa apoiada pelo governo, conhecida como «dWallet». Este projeto permite guardar os dados em segurança e receber compensação direta das empresas que querem aceder-lhes.

O conceito de dividendo de dados: não é tão novo como possas pensar

Esta ideia de «dividendos de dados» (pagar diretamente a quem gera os dados) não é inteiramente nova. Em 2019, o governador da Califórnia, Gavin Newsom, fez manchetes ao propor um «dividendo de dados» semelhante, inspirado no modelo do dividendo do petróleo do Alasca, com a intenção de devolver valor às pessoas a partir da pegada digital. A proposta emperrou no plano legislativo, mas acendeu uma conversa relevante sobre propriedade dos dados e justiça económica.

A iniciativa seguiu-se a vários avanços tecnológicos na autonomia dos dados, com destaque para o projeto Solid. Desenvolvido pelo inventor da World Wide Web, Tim Berners-Lee, o Solid pretende descentralizar o armazenamento de dados e dar controlo total sobre a informação através de «armazéns pessoais de dados online» (PODs) seguros. Estes PODs permitem escolher com precisão que entidades podem aceder aos dados, o que reforça de forma significativa a privacidade e a soberania dos dados. A arquitetura do Solid não promete só mais autonomia: também oferece uma base prática para um ecossistema de monetização dos dados centrado em quem os gera.

Uma indústria em expansão, e um paradigma novo

O mercado de monetização de dados, segundo o European Data Market Study, estava avaliado em cerca de $29 mil milhões em 2025, com um CAGR de 15.3%. Um crescimento tão explosivo sinaliza uma mudança de paradigma: os dados não são só o «novo petróleo», são um ativo financeiro crucial que, como a propriedade intelectual ou o imobiliário, merece direitos de propriedade claros e mecanismos de distribuição de valor.

Rumo a uma economia dos dados mais equitativa

O piloto dWallet do Brasil é mais do que uma política nacional. Sinaliza o início de uma mudança global. À medida que as pessoas acordam para o verdadeiro valor económico da vida digital, a questão não é se este modelo se vai expandir, mas com que rapidez outros países vão seguir o exemplo do Brasil.

Com as ferramentas, a regulação e a prontidão do mercado cada vez mais alinhadas, os dividendos de dados pessoais podem em breve tornar-se tão comuns e tão pouco controversos como as subscrições de streaming ou os cartões de crédito com cashback. Já não se trata só de proteger os dados. Trata-se de partilhar a riqueza que eles criam.

O futuro da propriedade dos dados chegou e, desta vez, tens tu a carteira.

A oportunidade da Europa: infraestrutura encontra regulação

A União Europeia, conhecida por leis de proteção de dados exigentes como o RGPD (GDPR), está numa posição única para liderar esta mudança. O Regulamento dos Dados da UE, de 2023, já estabeleceu enquadramentos para o acesso justo aos dados, a portabilidade e a compensação, mas o que falta à Europa é infraestrutura prática para entregar estes dividendos diretamente às pessoas.

Plataformas como a Datapods existem precisamente para fechar esta lacuna. Ao permitir pedir e guardar os dados em segurança (a começar pela Google), a Datapods dá controlo total e a possibilidade de licenciar os dados diretamente, com uma compensação justa.

Por outras palavras, o futuro que o Brasil está a testar, nós já estamos a construir.